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Após 2 anos seguidos de prejuízo, Sindicato Rural cancela Exposul 2027

Alta dos cachês artísticos, perda de expositores e dificuldades para captar patrocínios pesaram na decisão

Por Anderson Viegas

O Sindicato Rural de Chapadão do Sul decidiu cancelar a 33ª edição da Exposul (Exposição Agropecuária de Chapadão do Sul), prevista para 2027. A decisão foi tomada por unanimidade pela diretoria, após dois anos consecutivos de resultados financeiros negativos, que somaram aproximadamente R$ 290 mil em prejuízos. O aumento dos cachês artísticos, a redução do número de expositores e as dificuldades para captar patrocínios estão entre os principais motivos.

Em entrevista ao Campo Grande News, o presidente do Sindicato Rural, Gilberto Antonio Mosena, conhecido como Giba, explicou que a edição de 2026, realizada de 3 a 7 de junho, terminou com prejuízo de aproximadamente R$ 200 mil. Em 2025, as perdas haviam sido de cerca de R$ 90 mil.

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Segundo ele, os custos para realizar a feira cresceram significativamente, sobretudo em razão das atrações musicais. Shows que anteriormente custavam cerca de R$ 300 mil passaram a exigir investimentos próximos de R$ 1 milhão.

Para 2027, a estimativa era gastar aproximadamente R$ 2,2 milhões somente com a contratação dos shows. Ao acrescentar despesas com arquibancadas, camarotes e demais estruturas, o orçamento total poderia chegar a R$ 3,2 milhões ou R$ 3,4 milhões.

A época de realização da Exposul também influencia os custos. Tradicionalmente promovida no meio do ano, a feira coincide com o período das festas juninas no Nordeste, quando aumenta a procura por artistas sertanejos e outros nomes de destaque nacional.

Outro fator apontado pelo presidente foi a dificuldade de conciliar os custos da programação com as expectativas do público. Embora parte dos shows seja oferecida gratuitamente, há reclamações sobre preços de ingressos, atrações escolhidas e estrutura. “O pessoal reclama do show, reclama que a entrada é cara, que o show não é bom. São muitas críticas”, relatou.

Sindicato rejeita recursos públicos para contratação de shows

Mosena ressaltou que a decisão não tem motivação política. Segundo ele, a atual diretoria adotou como princípio não utilizar recursos públicos para custear apresentações artísticas, embora mantenha parcerias institucionais para outras atividades. “Não tem nada de política. Nós, da diretoria, temos uma posição de não ter dinheiro público no evento para shows. Temos parcerias para outras iniciativas, não para shows”, afirmou.

O dirigente também disse ser contrário à utilização de recursos que poderiam ser aplicados em áreas essenciais, como a saúde, para financiar apresentações musicais de alto custo. Para ele, a contratação de artistas em ascensão, com cachês mais acessíveis, seria uma alternativa mais compatível com a realidade financeira do evento.

A preocupação com os custos se soma às incertezas para a captação de patrocinadores em 2027. Segundo Mosena, o cenário econômico do agronegócio e as mudanças decorrentes da reforma tributária tornam mais difícil planejar uma nova edição.

O presidente destacou ainda que a feira perdeu expositores em 2026, reduzindo uma das fontes de sustentação financeira do evento.

Pausa será utilizada para melhorias no parque

O cancelamento não significa o encerramento definitivo da Exposul. A diretoria pretende aproveitar a pausa em 2027 para realizar melhorias no Parque de Exposições e manter atividades tradicionais do Sindicato Rural, como a cavalgada.

Entre as intervenções previstas estão adequações nas redes de água e esgoto, além de melhorias na infraestrutura para ampliar a segurança e o conforto do público. Os investimentos serão definidos conforme as necessidades do parque e a disponibilidade de recursos, sem relação direta com o orçamento estimado para a realização da feira.

A entidade também pretende manter eventos como a cavalgada e fortalecer suas atividades de formação profissional, realizadas em parceria com o Senar/MS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul).

“O forte do sindicato não é a Exposul. É promover, em parceria com o Senar/MS e a Famasul, cursos e capacitações. O sindicato está lá para isso. A Exposul seria a cereja do bolo”, afirmou Mosena.

A expectativa é avaliar a retomada da exposição em 2028, caso haja melhora nas condições econômicas, retorno de patrocinadores e expositores e redução dos custos de contratação de atrações artísticas.

Em nota oficial divulgada em 28 de outubro, o Sindicato Rural classificou a decisão como uma das mais difíceis de sua história e destacou que a preservação do patrimônio da entidade e dos associados deve prevalecer sobre o desejo de manter a tradição. “Não podemos permitir que a emoção se sobreponha à responsabilidade”, afirma o comunicado.

Para Mosena, a suspensão é uma medida de prudência financeira, necessária para evitar que novos prejuízos comprometam as atividades permanentes do sindicato. A diretoria espera que a pausa permita reorganizar o evento e criar condições para que a Exposul retorne em 2028 com uma estrutura melhor e maior sustentabilidade financeira.

(Foto: Sindicato Rural de Chapadão do Sul)

campograndenews

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