Em noite histórica, ponte Bioceânica é concluída com fechamento do vão central e avança para obras de acabamento e dos acessos
Com 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, a ponte recebeu o último carregamento de concreto nesta quarta-feira (15), segundo o Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai informou em suas redes sociais.

Eram exatamente 20h55 desta quarta-feira (15) quando a ponte da bioceânica uniu fisicamente o Brasil (via Porto Murtinho em MS) com o Paraguai (em Carmelo Peralta). Uma noite histórica para a integração, o desenvolvimento e a economia de quatro países da América do Sul, especialmente para Mato Grosso do Sul.
Sobre o Rio Paraguai, a escuridão só era quebrada pelas luzes da estrutura da ponte que orientavam os últimos trabalhos para a conclusão do vão central.
Obra icônica para a economia de Mato Grosso do Sul e da América do Sul, abrindo caminho para os mercados asiáticos, via principalmente o porto de Iquique no Chile, o encontro das duas estruturas da ponte Rota Bioceânica proporcionou um momento de intensa emoção para os trabalhadores e profissionais que concluíram o “beijo das aduelas” – nome técnico do jargão da engenharia – ligando Porto Murtinho a Carmelo Peralta no Paraguai.
Com 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, a ponte recebeu o último carregamento de concreto durante o dia, segundo o Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai informou em suas redes sociais.

Embora o término estrutural da ponte tenha sido concluído, a liberação total do tráfego dependerá da finalização das alfândegas e das vias de acesso, como a BR-267 no lado brasileiro, que ainda está em obras.
A ponte também passará por diversas etapas de acabamento, pavimentação, instalações e testes operacionais até sua entrega definitiva, prevista para o final de novembro de 2026.
Integração
A Ponte Internacional Bioceânica é considerada uma das obras de infraestrutura mais estratégicas da América do Sul. Ela integra o Corredor Bioceânico de Capricórnio, conectando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile em uma nova rota logística rumo ao Oceano Pacífico.
Por esse corredor, será escoada a produção agrícola, pecuária, industrial e mineral dos quatro países até os portos chilenos de Mejillones, Antofagasta, Tocopilla e Iquique, reduzindo distâncias, custos de transporte e tempo de viagem, aumentando significativamente a competitividade das exportações para os mercados asiáticos.
Obra
Construída com recursos da Itaipu Binacional, que investiu cerca de US$ 100 milhões no lado paraguaio, a ponte é executada pelo Consórcio PYBRA, formado pelas empresas Tecnoedil, Paulitec Construções e Cidade Ltda.
A obra foi orçada em cerca de US$ 100 milhões (pouco mais de R$ 500 milhões), integralmente financiados pela margem paraguaia da Itaipu Binacional.
Os dois pilares principais e os cabos receberão sensores eletrônicos que monitoram cargas, enviando pulsos para computadores que acompanham os esforços da ponte em tempo real, inclusive, quando veículos passam ou ocorrem eventuais problemas estruturais.

Outros serviços previstos incluem a iluminação fluvial, que garante o tráfego seguro de embarcações no Rio Paraguai, além do acabamento do piso da ponte e instalação de grades de proteção para pedestres e ciclistas, já que a estrutura contará com uma ciclovia.
O projeto também incorporou uma solução ambiental inédita com barreiras de segurança reflexivas para evitar a colisão de aves em voo na estrutura da ponte, além de controles ambientais para evitar que resíduos cheguem ao leito do rio, incluindo estruturas para tratamento de restos de concreto e monitoramento permanente de insumos e combustíveis.
Posteriormente, serão realizados asfaltamento, pintura, colocação de placas sinalizadoras e iluminação ornamental.
Rota Bioceânica
A estrutura estaiada é considerada estratégica para consolidar a Rota Bioceânica, ligando os portos do norte do Chile, em Antofagasta e Iquique, passando pelo Paraguai e Argentina, até os portos brasileiros, como o de Porto Murtinho, e futuramente outros da costa atlântica.
O Corredor Bioceânico deverá encurtar em mais de 9,7 mil quilômetros a rota marítima das exportações brasileiras, principalmente aquelas oriundas do Sudeste e do Centro-Oeste, para a Ásia. Em uma viagem para a China, a estimativa é de redução de 23% no tempo de transporte, o equivalente a 12 a 17 dias a menos.
Além da ponte e de seus acessos, está prevista a construção de infraestruturas alfandegárias integradas em ambos os lados da fronteira. Segundo a Receita Federal, o fluxo inicial estimado é de 250 caminhões por dia, podendo aumentar à medida que a Rota se consolide como alternativa logística de exportação e importação para o Mercosul e a Ásia.
O “beijo das aduelas” aconteceu exatamente as 20h55 desta quarta-feira (15) Fotos capa e internas: Toninho Ruiz
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