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Caso Marielly: crime envolvendo traição, aborto e papéis de bala parou MS há 15 anos

Jovem morreu em junho de 2011 após um aborto malsucedido; cunhado e enfermeiro foram condenados

Lívia Bezerra

Quinze anos se passaram desde a morte da jovem Marielly Barbosa Rodrigues no município de , a 57 quilômetros de . Ela tinha 19 anos quando foi encontrada sem vida no dia 11 de junho de 2011 em um canavial de Sidrolândia após um aborto malsucedido.

O enfermeiro e o cunhado da vítima, Hugleice da Silva, com quem ela teve relação extraconjugal e que resultou em uma gravidez indesejada, viraram réus pelo crime. Em setembro de 2022, após 11 anos do caso que repercutiu até fora do Brasil, o enfermeiro e o cunhado de Marielly foram condenados a nove anos de prisão em regime inicial semiaberto. O julgamento da dupla durou cerca de 11 horas em Sidrolândia.

Ao Jornal Midiamax, o advogado José Roberto da Rosa, que atua na defesa de Hugleice, explicou que seu cliente foi condenado a quatro anos de reclusão pelo crime de instigação ao aborto com resultado morte.

Também tentou matar a esposa

Há alguns anos, a pena foi somada à pena por tentativa de homicídio contra a esposa de Hugleice, ocorrida no Mato Grosso. Portanto, ele cumpriu a primeira etapa no semiaberto e, agora, cumpre no regime aberto.

Inicialmente, o cunhado de Marielly negou participação no aborto. Já durante o julgamento em 2022, Hugleice confessou toda a participação, mas negou a paternidade e afirmou que não esteve no procedimento.

“Hoje ele trabalha na própria cidade, cumpre pena e, ao que tudo indica, nunca mais se envolveu em nenhum evento. Deve o livramento condicional no ano que vem. Não foi fácil fazer essa defesa porque tínhamos a opinião pública contra e, principalmente, porque houve essa mudança de versão. Foi um caso muito difícil, muito triste”, lembrou o advogado José Roberto da Rosa à reportagem.

Hugleice negou paternidade. (Foto: Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Uma bala halls preto foi peça fundamental para que a polícia chegasse até Hugleice e depois até Jodimar. A investigadora que liderou as investigações na época, Maria Campos, disse à Justiça durante o julgamento em 2022 que a bala, que insistentemente Hugleice oferecia a ela, foi o que reforçou as suas suspeitas de que ele estaria envolvido na morte.

 

Jodimar, de máscara, durante o júri em Sidrolândia. (Foto: Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Traição, gravidez indesejada e aborto

A denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e o inquérito policial, com os laudos periciais, apontam que Marielly teria morrido no mesmo dia em que a mãe procurou a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro para relatar o desaparecimento da filha. A jovem saiu de casa no dia 21 de maio de 2011 e não foi mais vista.

A investigação policial apontou que Marielly teve relação com o próprio cunhado, Hugleice. Dessa relação extraconjugal, resultou uma gravidez indesejada da jovem, comprovada por meio de um exame médico feito em fevereiro de 2011. No mês seguinte, em março, Marielly conheceu um rapaz com quem começou a namorar.

A gravidez era mantida em sigilo, mas a jovem chegou a confidenciar para uma amiga, dizendo que “se a criança nascesse, seria uma ‘bomba’ para a família”. Foi então que ela e o cunhado teriam optado pelo aborto. Hugleice então conhece Jodimar, que morava na época em Sidrolândia.

No dia 19 de maio, conforme identificado pela perícia no celular de Hugleice, ele teria passado o dia em Sidrolândia. Já no dia 20, Hugleice e Marielly trocaram um total de 18 ligações telefônicas. No dia seguinte, em que a jovem desapareceu, eles foram até Sidrolândia à casa de Jodimar, também conforme apontado pelo MPMS e pela Polícia Civil.

Na residência, o então enfermeiro teria feito o procedimento de aborto na jovem. Uma prima de Jodimar que teria ficado ali para fazer a limpeza do local relatou que viu a vítima passando mal. O que se apurou é que Marielly, logo após o aborto, passou mal e faleceu. Ali, Hugleice e Jodimar colocaram a jovem já sem vida na camionete do cunhado e levaram até a área de mata nas margens da rodovia MS-162, onde o corpo foi desovado.

Localização do corpo de Marielly

Foram três semanas do desaparecimento até o corpo de Marielly ser encontrado. O corpo já estava em estado inicial de mumificação, irreconhecível, sendo identificado pelos exames periciais. No dia do reconhecimento, Hugleice não teria olhado para o corpo, estava nervoso e saiu dizendo que não era Marielly.

No entanto, foi identificado que se tratava da jovem. A Perícia também identificou que Marielly já não tinha mais o feto, ou seja, o que para o MPMS comprova o aborto. A causa da morte não foi identificada, mas o indício é de que ela tenha sofrido uma hemorragia aguda, inclusive sendo identificado sangue perto da área pélvica do corpo da vítima.

A partir daí, sendo ouvidas testemunhas do caso, Hugleice teria confessado o crime, depois ainda tendo dito que teria sofrido violência psicológica da polícia.

Já Jodimar não chegou a confessar. Ele manteve a afirmação de que não conhecia Marielly, nem teria provocado o aborto. Os dois acusados foram denunciados em agosto de 2011 e pronunciados só em março de 2019, já 8 anos após a morte da jovem.

Marielly Barbosa Rodrigues morreu com 19 anos em junho de 2011. (Foto: Arquivo Pessoal)
Midiamax

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