Invasão de fazenda coincide com agenda iminente de Lula em Mato Grosso do Sul
Entidade rural denuncia destruição de patrimônio, cobra punição aos responsáveis e critica insegurança jurídica no campo

Conjuntura Online
Na iminência de cumprir agenda em Mato Grosso do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta críticas em razão da invasão de uma fazenda no município de Sidrolândia por indígenas, que reivindicaram, no sábado (13), o avanço do processo demarcatório paralisado desde 2013.
Em Sidrolândia, os indígenas estão sendo acusados pelos proprietários da área de depredação, incluindo danos a maquinários, furtos, focos de incêndio e derrubada de árvores, conforme relatos feitos à Polícia Militar, que esteve no local.
Em seu terceiro mandato, Lula é visto por setores da oposição como líder de uma articulação que incentiva invasões de áreas, incluindo ações do MST {Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra} e de grupos indígenas.
A oposição sustenta que essas práticas seriam avalizadas pelo governo federal.
No começo do mês, por exemplo, a Primeira Turma do STF {Supremo Tribunal Federal} formou maioria para confirmar uma liminar do ministro Flávio Dino que suspendeu a reintegração de posse da Fazenda Brasil, em Gravatá (PE), invadida pelo MST.
Com a decisão, a ocupação, que já dura 11 anos, segue como está. Os proprietários e a polícia não podem alterar a área, e qualquer mudança no número de moradias e de pessoas no local também pode ser enquadrada como desobediência à determinação.
No caso de Mato Grosso do Sul, o deputado estadual Zeca do PT tenta atribuir a invasão da propriedade em Sidrolândia a setores da direita.
“Quem está à frente é um tal de Rodrigues, liderança da comunidade da Aldeia Buriti. Um indígena de direita, que apoia Odilon, de Aquidauana, Viviane e Reinaldo. Portanto, começamos a entender que pode estar por trás uma tentativa de desgaste relacionada à imagem do presidente Lula. É um ato vinculado a indígenas de partido de direita”, declarou o parlamentar, em reportagem publicada pelo portal Investiga MS.
Ato criminoso
A Famasul {Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul} classificou a invasão da Fazenda São Sebastião, em Sidrolândia, como um ato criminoso e relatou uma série de danos causados à propriedade.
Segundo a entidade, os invasores teriam incendiado estruturas, furtado maquinários, insumos agrícolas, animais e provocado a destruição de parte da área, incluindo a derrubada de árvores utilizadas como barricadas para dificultar a ação policial.
Na nota, a federação também cobra uma resposta firme das autoridades e defende a responsabilização dos envolvidos. A entidade argumenta que o episódio reforça a necessidade de garantir segurança jurídica no campo e respeito ao direito de propriedade, além de alertar para os prejuízos materiais e psicológicos enfrentados por produtores rurais em áreas marcadas por conflitos fundiários.
Diante dos acontecimentos registrados na Fazenda São Sebastião, a Famasul divulgou nota oficial em que repudia a invasão da propriedade e cobra providências das autoridades para apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos.
A entidade afirma que a ação causou prejuízos significativos ao produtor rural, comprometeu a atividade produtiva e reforça a necessidade de garantir segurança jurídica no campo. A federação também defende a adoção de medidas efetivas para assegurar o cumprimento da lei e a proteção do direito de propriedade.
Veja a nota da Famasul na íntegra
“A Famasul repudia com veemência o ato criminoso ocorrido na Fazenda São Sebastião, no município de Sidrolândia, neste sábado (13). A propriedade rural, adquirida de maneira legítima pelo proprietário, foi invadida e depredada por um grupo criminoso formado por indígenas.
Os invasores atearam fogo, roubaram maquinários, insumos agrícolas, cavalos e gados. A sede e toda a estrutura da propriedade rural foram queimadas, causando prejuízos incalculáveis e impedindo o legítimo exercício da atividade produtiva. Árvores foram derrubadas e transformadas em barricadas na tentativa de impedir que a polícia chegasse aos criminosos.
A fazenda é alvo de processo que se arrasta há anos na Justiça e ainda está em fase demarcatória.
A Federação reforça que o direito à propriedade privada é previsto na Constituição e deve ser respeitado. Não podemos aceitar que produtores rurais continuem arcando com prejuízos materiais e psicológicos sem responsabilização dos criminosos e sem qualquer ressarcimento pelas perdas, que são resultado da impunidade. É urgente a adoção de medidas firmes e efetivas que assegurem o cumprimento da lei e a segurança jurídica no campo.
É preciso que a Justiça e as autoridades competentes ajam com firmeza, investigando, identificando e responsabilizando os autores do ataque à Fazenda São Sebastião. É inadmissível que qualquer pessoa, independentemente da etnia, atente contra a propriedade privada, contra a segurança jurídica e permaneça impune.
A Famasul continuará atuando de forma incansável pela paz no campo, pelo respeito ao Estado de Direito e pela segurança jurídica que garantem a produção, o desenvolvimento e a harmonia social em Mato Grosso do Sul.”



