Segurança Pública: MS registra alta de 18,7% em assassinatos de mulheres e vai na contramão do Brasil

MsEspecial
Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário alarmante no que diz respeito à violência de gênero. Segundo dados do novo Atlas da Violência, divulgado na última terça-feira (26 de maio de 2026), o estado registrou um aumento de 18,75% nos homicídios de mulheres entre 2023 e 2024.
O levantamento, realizado pelo Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que, enquanto o Brasil conseguiu reduzir esses índices, Mato Grosso do Sul viu os números saltarem de 48 para 57 mortes anuais.
Feminicídios em Ascensão
Os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) corroboram a gravidade da situação. Quando o recorte é específico para o feminicídio (crime cometido em razão do gênero), o aumento também foi real:
-
2023: 30 casos.
-
2024: 35 casos.
Esse indicador mostra que as políticas de proteção e as medidas protetivas ainda enfrentam desafios severos para conter a violência doméstica e o ódio contra a mulher no estado.
MS vs. Cenário Nacional
O contraste entre Mato Grosso do Sul e o restante do país é nítido. O estado é um dos apenas sete que registraram alta, ao lado de Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraná e Roraima.
| Abrangência | Variação (2023-2024) | Tendência |
| Mato Grosso do Sul | + 18,75% | Alta |
| Brasil (Geral) | – 6,7% | Queda |
A nível nacional, foram assassinadas 3.642 mulheres em 2024. Embora o número ainda seja considerado inaceitável, a redução em 19 estados indica que o país, de forma geral, começa a colher resultados de políticas públicas que em MS ainda não surtiram o efeito esperado.
Contradição nos Índices Gerais
Curiosamente, Mato Grosso do Sul apresenta um desempenho excelente na redução de homicídios gerais (envolvendo homens e mulheres). No ranking de letalidade, o estado ocupa a 21ª posição, sendo um dos menos violentos do país em termos absolutos.
-
Redução Geral em MS: 11,1% (Queda superior à média nacional de 6,9%).
-
Total de mortes (2024): 519 casos.
A análise é clara: Enquanto o estado consegue ser eficiente no combate à criminalidade comum e urbana, ele falha drasticamente em proteger a mulher dentro de casa ou em contextos de relacionamentos.
O Que Isso Significa?
O aumento da violência contra a mulher em um cenário onde a violência geral diminui sugere que o problema em Mato Grosso do Sul é cultural e doméstico, e não apenas um reflexo da segurança pública nas ruas. Especialistas apontam que a rede de proteção precisa de investimentos urgentes em acolhimento e monitoramento de agressores.
Imagem: Divulgação



