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BRASÍLIA – Em uma demonstração de seu novo alinhamento com a base do governo Lula, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) teve papel decisivo na rejeição do relatório final da CPI do Crime Organizado. Por um placar de 6 a 4, a comissão derrubou o texto do relator Alessandro Vieira (MDB), que pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet.
A votação foi marcada por manobras regimentais estratégicas: Soraya, que era suplente, assumiu a titularidade na vaga de Jorge Kajuru (PSB). Além disso, as substituições de nomes da oposição, como Sergio Moro (PL) e Marcos do Val (Avante), garantiram a maioria governista necessária para enterrar o relatório.
O Alvo do Relatório
O documento rejeitado alegava que os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e o procurador Paulo Gonet teriam cometido crime de responsabilidade e dificultado investigações, citando especificamente o chamado “Caso Master”.
O governo, por sua vez, criticou duramente o texto, apontando uma suposta seletividade política por não mencionar figuras como Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (União Brasil).
Como votaram os Senadores
| Votaram pela REJEIÇÃO (Governo) | Votaram pela APROVAÇÃO (Oposição) |
| Soraya Thronicke (PSB-MS) | Alessandro Vieira (MDB-SE) – Relator |
| Teresa Leitão (PT-PE) | Magno Malta (PL-ES) |
| Beto Faro (PT-PA) | Eduardo Girão (Novo-CE) |
| Otto Alencar (PSD-BA) | Esperidião Amin (PP-SC) |
| Humberto Costa (PT-PE) | |
| Rogério Carvalho (PT-SE) |
Soraya e o “Giro” à Esquerda
A atuação de Soraya Thronicke nesta comissão consolida sua transição política. Eleita em 2018 com um discurso fortemente bolsonarista, a senadora migrou do Podemos para o PSB (partido do vice-presidente Geraldo Alckmin) com o objetivo de fortalecer a bancada de apoio ao presidente Lula no Senado, visando as eleições de outubro.
O que se perde com a rejeição?
Além dos pedidos de indiciamento, o relatório continha propostas técnicas para o combate à criminalidade que agora perdem força, tais como:
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Combate a Crimes Financeiros: Aprimoramento da detecção e repressão de lavagem de dinheiro.
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Regulamentação do Lobby: Criação de regras para a atuação de grupos de interesse em Brasília.
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Rigor Ético: Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para aumentar o rigor ético sobre membros de tribunais superiores.
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Reforma das CPIs: Mudanças no funcionamento das comissões parlamentares de inquérito.
Imagem: Divulgação



