Milho na B3: Pressão da colheita e cenário externo derrubam cotações
Avanço dos trabalhos de campo no Brasil e incertezas sobre o etanol nos EUA ditam o ritmo do mercado; contratos futuros operam próximos de R$ 68,00.

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O mercado brasileiro de milho iniciou a semana sob o efeito da pressão sazonal. Com a necessidade de liberar espaço nos armazéns para a soja que está sendo colhida, muitos produtores estão aumentando a oferta de milho no mercado físico, o que naturalmente força o recuo dos preços médios acompanhados pelo Cepea.
Resumo das Cotações na B3 (Fechamento)
Os vencimentos futuros refletem a expectativa de maior oferta ao longo do primeiro semestre de 2026:
| Contrato | Valor (R$) | Comportamento |
| Março/26 | R$ 68,99 | Leve alta no dia, mas em queda na semana |
| Maio/26 | R$ 68,31 | Recuo diário e semanal |
| Julho/26 | R$ 67,38 | Maior pressão vendedora (entrada da safrinha) |
Fatores de Pressão no Brasil
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Logística: A colheita da soja exige “vazão” nos silos, obrigando a venda antecipada de milho para gerar liquidez.
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Clima e Safrinha: O plantio da 2ª safra já atingiu 4,7% da área total, superando o ritmo do ano passado. As boas condições climáticas reforçam a projeção de uma colheita volumosa à frente.
O Cenário em Chicago (CBOT)
Nos Estados Unidos, o fator “político” pesou negativamente. O veto ao uso anual do E15 (mistura de 15% de etanol na gasolina) frustrou a indústria. Sem essa garantia de demanda, o mercado teme que a safra recorde norte-americana não tenha vazão suficiente, o que acaba empurrando os preços globais para baixo.
O que monitorar nos próximos dias?
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Ritmo da Soja: Quanto mais rápido a soja for colhida, maior será a pressão para desovar os estoques de milho.
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Câmbio: A volatilidade do dólar pode compensar parte da queda externa em Chicago.
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Decisões sobre Biocombustíveis: Qualquer sinalização sobre o aumento da mistura de etanol ou biodiesel pode reaquecer a demanda industrial.
Imagem: Divulgação



