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A espera de um quarto de século chegou ao fim. No último sábado (17), em Assunção (Paraguai), líderes sul-americanos e europeus assinaram oficialmente o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE).
A cerimônia reuniu chefes de Estado e representantes diplomáticos, incluindo o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Para o Brasil — e especialmente para estados produtores como Mato Grosso do Sul — o documento representa a abertura de portas em um mercado de 450 milhões de consumidores.
Celulose: Competitividade para o MS
Um dos grandes beneficiados pelo acordo deve ser o setor de base florestal. A celulose brasileira, que tem em Mato Grosso do Sul seu principal polo de produção (o “Vale da Celulose”), terá tarifas reduzidas ou eliminadas, aumentando a competitividade diante de outros concorrentes globais.
Mesmo antes do acordo, a Europa já era estratégica:
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A UE é o segundo maior mercado da celulose brasileira.
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O bloco responde por 21,1% de tudo que o Brasil exporta do produto.
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A receita gerada com o bloco foi de US$ 1,98 bilhão nos primeiros 11 meses de 2025.
Com o fim das barreiras tarifárias, a tendência é que as fábricas instaladas na região (como em Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Inocência) tenham ainda mais facilidade para escoar a produção para o velho continente.
Carne e Grãos em alta
O agronegócio como um todo celebra os números. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a UE eliminará tarifas para 92% das exportações do Mercosul.
Dados de 2025 já mostram o apetite europeu pelos produtos brasileiros:
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Carne Bovina: As exportações cresceram 83,2% entre janeiro e novembro do ano passado.
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Café: A UE é o principal destino, comprando US$ 6,43 bilhões.
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Soja: O bloco é o terceiro maior comprador do grão brasileiro.
Próximos Passos: Ratificação
Apesar da festa e das assinaturas, o tratado não entra em vigor imediatamente. Agora começa a fase de ratificação, onde o texto precisa ser aprovado pelos parlamentos de todos os países envolvidos.
Esta etapa é crucial e pode enfrentar resistências políticas, especialmente de produtores rurais europeus (como na França) que temem a competitividade do agro brasileiro. Porém, para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o passo dado no sábado é irreversível:
“A assinatura do acordo é um marco histórico para o fortalecimento da indústria brasileira… e a integração internacional do país”, afirmou a entidade.
Imagem: Divulgação



