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Laços Históricos e Crise: Lula liga para Jaques Wagner após PF apontar suspeitas de US$ 2,5 milhões e repasses a familiares no caso Banco Master

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A sólida aliança de quase cinco décadas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), enfrenta mais um teste de estresse político. Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, ao programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo, o senador baiano revelou ter recebido um telefonema de solidariedade do presidente da República após virar alvo de uma nova e robusta investigação da Polícia Federal.

Segundo Wagner, Lula utilizou a proximidade de 48 anos de amizade para pedir que ele “permaneça firme”, classificando o avanço das investigações como uma clara tentativa de desestabilização política do Palácio do Planalto no Congresso Nacional.

Do Sindicalismo nos Anos 70 ao Núcleo do Poder

A relação entre as duas principais grifes do Partido dos Trabalhadores (PT) confunde-se com a própria história da legenda. O vínculo começou no final da década de 1970, no auge do movimento sindical contra a ditadura militar:

  • Lula comandava as históricas greves dos metalúrgicos no ABC Paulista;

  • Jaques Wagner, então técnico de manutenção aos 24 anos, liderava a organização dos petroleiros no recém-criado Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia.

Eles se conheceram oficialmente em um congresso da categoria em 1980, ano em que Wagner ajudou a fundar o PT baiano. Desde então, o baiano acumulou três mandatos de deputado federal, dois mandatos como governador da Bahia (2007-2014), ministérios de peso (Trabalho, Defesa e Casa Civil) nas gestões de Lula e Dilma Rousseff, até chegar ao Senado Federal em 2018.

O Nó Atual: O Caso Banco Master e Credcesta

Diferente dos fantasmas do passado, a nova linha de investigação da Polícia Federal rastreia transações recentes e conexões financeiras diretas. O caso tem origem em 2017, quando Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia e coordenou a privatização da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), dona da rede de supermercados Cesta do Povo.

A estatal foi arrematada por R$ 15 milhões pelo empresário Augusto Lima, que converteu o sistema de cartões da rede em uma mina de ouro: o Credcesta, um modelo de crédito consignado voltado a servidores públicos baianos. Em 2020, o negócio expandiu e foi absorvido pelo grupo do Banco Master, capitaneado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

As suspeitas da Polícia Federal que pesam contra o líder do governo são detalhadas e envolvem valores expressivos:

  • O Apartamento: Mensagens interceptadas no celular de Augusto Lima mostram o envio de dados específicos (metragem, torre e número) de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões para Jaques Wagner. A PF suspeita que o imóvel tenha sido propina disfarçada;

  • Dinheiro em Espécie: Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, os agentes federais retiveram US$ 50 mil em espécie;

  • Repasses ao Enteado: Rastreamento bancário identificou que a PKL Participações (empresa de Augusto Lima) transferiu R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, que pertence ao enteado do senador;

  • Repasses à Nora: A perícia financeira identificou outro fluxo de R$ 11 milhões, desta vez enviados diretamente pelo Banco Master para a BK Financeira, empresa controlada pela nora de Jaques Wagner.

O Histórico de Citações do Senador

Esta não é a primeira vez que o senador baiano precisa se explicar à Justiça. Sua folha corrida de citações em grandes operações inclui episódios emblemáticos:

  1. Operação Lava Jato (2017): Delatores da empreiteira Odebrecht, incluindo Marcelo Odebrecht, apontaram que Jaques Wagner era o codinome “Polo” nas planilhas do Setor de Operações Estruturadas (o departamento de propinas). Ele foi acusado de receber R$ 12 milhões em dinheiro vivo;

  2. Operação Cartão Vermelho (2017): Foi indiciado sob a suspeita de receber parte de um montante de R$ 82 milhões em desvios e superfaturamento nas obras de construção da Arena Fonte Nova para a Copa do Mundo de 2014.

Em todos os casos pretéritos e na atual investigação do Banco Master, a defesa técnica de Jaques Wagner nega veementemente qualquer irregularidade, sustentando que os repasses às empresas de seus familiares possuem justificativas comerciais lícitas e que sua inocência será provada no decorrer da instrução do inquérito.

Imagem: Divulgação

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