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Geopolítica da Carne: China reabilita frigoríficos dos EUA, mas competitividade brasileira segue imbatível no curto prazo

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A notícia de que a China renovou a habilitação de mais de 400 frigoríficos dos Estados Unidos e autorizou outros 77 novos estabelecimentos caiu como uma bomba no mercado global de proteínas nesta segunda-feira (18 de maio). O movimento, que ocorre após a recente viagem do presidente Donald Trump a Pequim, sinaliza uma trégua na guerra comercial, mas, segundo especialistas, não deve abalar a hegemonia brasileira no mercado asiático em 2026.

Embora o gesto político seja forte, os números do “chão da fábrica” e do campo mostram que os EUA enfrentam barreiras internas que favorecem o Brasil.


O Cenário: Reaproximação vs. Realidade Produtiva

A decisão chinesa reverte o cenário de janeiro de 2026, quando Pequim havia travado as importações americanas em retaliação a tarifas impostas por Washington. No entanto, analistas apontam que os EUA estão “com o rebanho vazio”:

  • Menor Rebanho em Décadas: O plantel bovino americano (86,2 milhões de cabeças) é o menor desde 1951.

  • Liquidação de Matrizes: O número de vacas de corte é o mais baixo desde 1961, devido a secas severas e altos custos de produção.

  • Paradoxo do Preço: Embora o boi gordo americano esteja com preços recordes, o produtor prefere vender o animal para abate do que investir na reposição do rebanho, o que limita a oferta futura.


A Disparidade de Preços: Brasil no Topo da Eficiência

A principal arma do Brasil na disputa pelo mercado chinês é o preço. A diferença entre a arroba brasileira e a americana é abismal, o que torna o produto sul-americano muito mais atraente para o consumo de massa e para a indústria de alimentos na China.

Indicador Brasil (US$) Estados Unidos (US$) Diferença (US$)
Preço da Arroba $69,87 $ 126,50 $ 56,63

Além do preço, os dois países operam em “prateleiras” diferentes:

  • Brasil: Líder em cortes do dianteiro, voltados para o abastecimento de massa e food service.

  • EUA: Focado em cortes premium (traseiro) para nichos de luxo e churrascarias de alto valor agregado.


Estados Unidos: De Exportador a Cliente do Brasil

Um dado curioso que reforça a posição brasileira é que os próprios Estados Unidos estão comprando cada vez mais carne do Brasil para conter a inflação interna de alimentos.

Importações americanas de carne brasileira em 2026 (toneladas):

  • Janeiro: 24,8 mil

  • Fevereiro: 33,2 mil

  • Março: 32,2 mil

  • Abril: 34,1 mil


O Triângulo Comercial: “Brasil -> EUA -> China”

Especialistas como Geraldo Isoldi (Terra Investimentos) levantam uma hipótese otimista para o setor: o Brasil poderia suprir a demanda interna dos EUA com carne para processamento (hambúrgueres e industrializados), enquanto os americanos direcionariam sua reduzida produção premium para a China.

“Seria o melhor dos mundos: o Brasil exporta para os EUA, que exporta para a China”, resume Isoldi.

Apesar da reabertura do mercado chinês aos americanos, a cota de 164 mil toneladas que os EUA possuem dificilmente será preenchida este ano. Até o momento, os embarques americanos para a China foram pífios (apenas 540 toneladas), o que mantém o Brasil como o “parceiro de primeira hora” de Pequim.

Imagem: Divulgação

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