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Corredor Bioceânico: O fim da “Picada 500” e a nova era do Chaco Paraguaio

Obras na PY-15 avançam com investimento de US$ 354 milhões; trecho é o elo que faltava para conectar Porto Murtinho (MS) aos portos do Chile.

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O que antes era um rastro de terra intransitável, marcado pelo “talcal” (poeira finíssima) na seca e pelo barro intransponível na chuva, está sendo substituído por uma engenharia de alta performance. O projeto é estratégico para o escoamento da produção agropecuária brasileira e paraguaia em direção ao Oceano Pacífico.

 A Engenharia Contra o Solo do Chaco

O solo da região é um dos mais desafiadores do continente. Para garantir que o asfalto não ceda sob o peso das carretas, os consórcios estão utilizando técnicas robustas:

  • Solo-Cal e Solo-Cimento: Misturas químicas que estabilizam a terra natural antes da pavimentação.

  • Base Granular e Sub-base Reforçada: Camadas profundas que distribuem o peso do tráfego pesado.

  • Drenagem Celular: Sistemas de concreto armado para permitir que a água das cheias do Rio Pilcomayo passe sob a rodovia sem destruir a estrutura.

 O Caminho da Integração (Lotes e Trechos)

A obra de 220 km entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo está dividida em 4 lotes simultâneos para acelerar a entrega:

Trecho Extensão Foco Logístico
Lote 1 ao 4 55 km cada Conectar o Paraguai à Província de Salta (Argentina)
Ponte Internacional Carmelo Peralta / Porto Murtinho O portal de entrada do Brasil para este corredor

Impactos Econômicos Imediatos

  • Valorização Regional: Pozo Hondo e Carmelo Peralta deixam de ser povoados isolados para se tornarem hubs logísticos.

  • Redução de Custos: A rota encurta em cerca de 8 mil quilômetros o caminho da soja e da carne do Centro-Oeste brasileiro até a Ásia, evitando a descida até o Porto de Santos e a passagem pelo Canal do Panamá.

  • Turismo e Comércio: O aumento do fluxo de trabalhadores já aquece hotéis e serviços em áreas antes esquecidas pelo governo paraguaio.


Por que isso importa para Mato Grosso do Sul?

Com a conclusão deste asfalto no Paraguai e da ponte em Porto Murtinho, MS se torna o centro logístico da América do Sul. O estado deixará de ser o “fim da linha” ferroviária ou rodoviária para se tornar o corredor principal de mercadorias que cruzam o continente de Leste a Oeste.

“A Picada 500 deixa de representar o fim do caminho para se transformar em passagem para o futuro.”

Imagem: Divulgação

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