
MsEspecial
O que antes era um rastro de terra intransitável, marcado pelo “talcal” (poeira finíssima) na seca e pelo barro intransponível na chuva, está sendo substituído por uma engenharia de alta performance. O projeto é estratégico para o escoamento da produção agropecuária brasileira e paraguaia em direção ao Oceano Pacífico.
A Engenharia Contra o Solo do Chaco
O solo da região é um dos mais desafiadores do continente. Para garantir que o asfalto não ceda sob o peso das carretas, os consórcios estão utilizando técnicas robustas:
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Solo-Cal e Solo-Cimento: Misturas químicas que estabilizam a terra natural antes da pavimentação.
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Base Granular e Sub-base Reforçada: Camadas profundas que distribuem o peso do tráfego pesado.
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Drenagem Celular: Sistemas de concreto armado para permitir que a água das cheias do Rio Pilcomayo passe sob a rodovia sem destruir a estrutura.
O Caminho da Integração (Lotes e Trechos)
A obra de 220 km entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo está dividida em 4 lotes simultâneos para acelerar a entrega:
| Trecho | Extensão | Foco Logístico |
| Lote 1 ao 4 | 55 km cada | Conectar o Paraguai à Província de Salta (Argentina) |
| Ponte Internacional | Carmelo Peralta / Porto Murtinho | O portal de entrada do Brasil para este corredor |
Impactos Econômicos Imediatos
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Valorização Regional: Pozo Hondo e Carmelo Peralta deixam de ser povoados isolados para se tornarem hubs logísticos.
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Redução de Custos: A rota encurta em cerca de 8 mil quilômetros o caminho da soja e da carne do Centro-Oeste brasileiro até a Ásia, evitando a descida até o Porto de Santos e a passagem pelo Canal do Panamá.
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Turismo e Comércio: O aumento do fluxo de trabalhadores já aquece hotéis e serviços em áreas antes esquecidas pelo governo paraguaio.
Por que isso importa para Mato Grosso do Sul?
Com a conclusão deste asfalto no Paraguai e da ponte em Porto Murtinho, MS se torna o centro logístico da América do Sul. O estado deixará de ser o “fim da linha” ferroviária ou rodoviária para se tornar o corredor principal de mercadorias que cruzam o continente de Leste a Oeste.
“A Picada 500 deixa de representar o fim do caminho para se transformar em passagem para o futuro.”
Imagem: Divulgação



