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Maior tragédia aérea de MS é assunto delicado para fotógrafo que perdeu voo: ‘Por muito tempo, não quis falar’

Aeronave da Força Aérea Brasileira caiu em Ponta Porã, em 1974

Monique Faria

Em 1974, Ponta Porã foi palco de um acidente aéreo que marcou a população do Estado de Mato Grosso. O canal do YouTube “Aviões e Músicas”, do mecânico internacional de aeronaves Lito Sousa, resgatou a história por trás da tragédia, envolvendo 20 militares do Exército.

No dia 18 de setembro, uma aeronave da Força Aérea Brasileira, de modelo C-115 Búfalo, voaria de Campo Grande até Ponta Porã para transportar uma comitiva militar de alto escalão. Antes de pousar no destino, o voo desceria também em Nioaque e Bela Vista.

Contudo, naquele dia, as condições climáticas eram desfavoráveis e uma neblina densa se formava. Por isso, foi decidido que o voo seria direto para Ponta Porã.

Ao se aproximarem da cidade, a neblina dificultou o pouso. O piloto tentou, por duas vezes, aproximar-se o máximo que podia do solo, mas sem sucesso. Segundo testemunhas, na segunda tentativa, a aeronave teria batido em árvores próximas, na torre de uma igreja católica e em uma caixa d’água.

O avião caiu a cerca de 500 metros da pista, onde hoje está localizado o Parque dos Ervais. O tanque de combustível ainda estava cheio, pois não havia feito as paradas previstas. Assim, com a queda, houve também uma explosão, que tomou em chamas os destroços da aeronave.

Sobrevivente estava de pé na aeronave

Das 20 vítimas, apenas uma sobreviveu: o sargento mecânico Shiro Ashiuchi. Segundo relatos, ele não estava usando cinto, pois não estava sentado no momento da aproximação. O sargento estaria em pé, atrás do piloto, auxiliando-o no pouso.

Com a força do impacto no solo, Shiro foi arremessado para fora do avião, antes de a explosão acontecer. Mesmo assim, sofreu queimaduras severas, além de passar por amputações nas pernas. O sargento ficou mais de um ano internado.

Sua vida foi salva graças a uma jovem que passava no local e prestou socorros. Ao contrário de outras pessoas que presenciaram o acidente, Belmira Villanueva correu até os destroços do avião e achou Shiro ainda com vida. Ela o arrastou para longe das chamas, impedindo que ele morresse no local.

Imprevisto impediu fotógrafo de Campo Grande de pegar o voo

Roberto Higa embarcaria junto aos militares para cobrir o evento. Ao Jornal Midiamax, o fotógrafo contou que seria acompanhado de um cinegrafista do jornal no qual trabalhava, na época. Contudo, o carro ficou indisponível para levá-los no momento do embarque.

“Naquela época, o carro dependia de entregar primeiro o jornal na banca para depois nos pegar, porque tinha que ser cedo. Então, ele, como sempre, atrasou. E, quando chegamos na base aérea, só vimos o rabo do avião. Ele partiu sem a gente”, explicou Higa.

Quando souberam da notícia, ficaram em choque — o motorista do jornal, principalmente. “Ele não conseguiu nem pegar o carro”, recordou o fotógrafo. Assim, o diretor do jornal pegou sua Brasília e eles foram dirigindo até Ponta Porã para cobrir o acidente. “Chegamos lá e estava aquele alvoroço todo”, explicou.

Quando se recorda do acidente, Higa ressalta o trajeto que fizeram para chegar à cidade a tempo. “Fizemos um caminho completamente maluco, num lugar sem asfaltos. Só com a graça de Deus, mesmo, que a gente conseguiu chegar e voltar para publicar isso tudo”, conta.

“Chegamos ainda a tempo de fotografar o velório dos militares mortos nesse acidente, que foi uma coisa, para mim, muito, muito triste, sabe? Eu não me sinto bem. Até hoje, falando a respeito, a emoção bate doído”, finaliza Higa.

Acidente aéreo em Ponta Porã deixou 19 mortos, em 1974. (Foto: Roberto Higa)
Midiamax

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