Fim da Novela: Europa aprova acordo histórico com o Mercosul e assinatura deve ocorrer na próxima semana
Apesar da resistência da França, maioria qualificada dos países europeus deu sinal verde em Bruxelas; Von der Leyen viaja ao Paraguai na segunda-feira.

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Uma espera de mais de duas décadas parece ter chegado ao fim nesta sexta-feira (9). Uma maioria qualificada dos Estados-membros da União Europeia (UE) aprovou o acordo de livre-comércio com o Mercosul, superando a forte oposição de agricultores e do governo francês.
A decisão, tomada durante reunião de embaixadores em Bruxelas, abre caminho imediato para a oficialização do tratado. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar já na próxima segunda-feira para o Paraguai — país que ocupa a presidência rotativa do bloco sul-americano em 2026 — para assinar o documento.
O que está em jogo?
O tratado é considerado um marco na economia global, resultado de 26 anos de complexas negociações. A união comercial cria um dos maiores blocos econômicos do mundo.
Os números da parceria impressionam:
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População: Uma zona de livre-comércio abrangendo 720 milhões de consumidores.
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Economia: A soma dos PIBs dos dois blocos chega a US$ 22,3 trilhões.
A Manobra Política
A aprovação ocorre após um período de tensão no final de 2025, quando a França (liderada por Emmanuel Macron) e a Itália (de Giorgia Meloni) travaram o avanço das tratativas exigindo proteção ao setor agrícola europeu.
Para destravar o acordo nesta semana, Bruxelas precisou abrir o cofre. A virada de chave, que garantiu o apoio da Itália e isolou a resistência francesa, foi o anúncio de medidas financeiras robustas para os produtores rurais europeus:
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Antecipação de Subsídios: Foi anunciado o adiantamento de até 45 bilhões de euros previstos no orçamento da PAC (Política Agrícola Comum).
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Proteção: Garantias de que os produtos sul-americanos não competirão de forma “desleal” com os europeus, embora os detalhes técnicos dessas barreiras ainda sejam debatidos.
Com o aval da maioria qualificada, a União Europeia consegue aprovar o texto mesmo sem a unanimidade de todos os membros, impondo uma derrota diplomática à ala protecionista francesa.
Imagem: Divulgação


